12 jul

Lavoura e pecuária caminham juntas e geram lucro e renda

Lavoura e pecuária caminham juntas e geram lucro e renda Lavoura e pecuária caminham juntas e geram lucro e renda

Famílias apostam na implantação de pastagens para alimentar animais na entressafra na região norte

Marielise Ferreira

A união de duas atividades como a agricultura e a pecuária pode trazer vantagens e até uma renda extra aos produtores. No norte do Estado, a integração ganhou impulso na última década e aos poucos vai tomando espaço para dar aproveitamento total às áreas de terra.

Nos municípios de abrangência da Emater Regional de Erechim, cerca de 600 mil hectares são utilizados nas culturas de verão.

No entanto, quando chega o inverno, apenas 60 mil hectares são ocupados com trigo e cevada. O restante fica ocioso, quando poderia ser utilizado para implementar a pecuária com pastagens.

Com a expansão do plantio direto, a integração lavoura-pecuária ganhou força. O preparo do solo convencional foi substituído pela técnica que prevê a cobertura nos períodos de entressafra.

Para que o solo estivesse protegido durante o inverno, as áreas em que havia sido colhido o milho e a soja passaram a ser cultivadas com aveia e azevém. As variedades, ótimas forrageiras, se tornaram um incentivo para a pecuária.

Os produtores encontraram na integração uma forma de aumentar a produção de leite, alimentando o gado leiteiro nas pastagens de inverno, num período em que tradicionalmente a produção teria queda. - É uma forma de somar no campo, tornando mais rentáveis as duas atividades - diz Flávio Bonfada, agrônomo da Emater.

Em Getúlio Vargas, onde a integração ocorre em 95% das propriedades, a prática mudou a rotina da família Kurtz. Onde no verão as colinas estavam cobertas pelo grão, hoje se espalha o imenso tapete verde, onde pastam as 32 vacas leiteiras.

- Só a lavoura não nos sustenta, este leite é um complemento que não podemos mais abrir mão - conta Gilberto Kurtz, 34 anos.

Com as pastagens de inverno o produtor consegue aumentar a renda e ainda reduz o custo de produção do animal. O resultado é tão bom que a família já tem 17 vacas em lactação e outras 15 novilhas e terneiros que estão sendo criados para reprodução.

Animais engordam rápido com alimentação adequada

A alimentação adequada é fator essencial para que o gado ganhe peso. Por isso, as lavouras de milho dão lugar à pastagem durante o inverno na propriedade dos Bertoni, em Barão de Cotegipe. Em vez de gado, Alcides Bertoni optou pelos ovinos, buscando um diferencial no mercado. Após a colheita do milho, 40 animais pastoreiam sobre a palha.

- Sem esta integração não poderíamos criar as ovelhas - conta Bertoni.

A criação engorda tão depressa que a família não tem tempo de vender para açougues. A prática de colocar o gado na resteva de milho só é recomendada para as áreas onde a colheita é feita manualmente.

Dicas técnicas

> Deixe a pastagem crescer entre 30 cm e 40 cm para depois iniciar o pastoreio

> Permita que os animais pastoreiem na área até que a pastagem chegue aos 10 cm de altura. Depois, troque de local para impedir que comam o rebrote

> Não realize pastoreio em dias chuvosos, para evitar a compactação do solo e a erosão

> Organize as áreas em piquetes, para acomodar o número adequado de gado, de acordo com o potencial da pastagem. No caso do azevém e da aveia, a média é 4,5 cabeças por hectare, com bom potencial nutricional

> Faça rodízio de piquetes todos os dias, para evitar que o esterco deixado pelo animal esteja em excesso, o que poderia provocar aumento de contaminação por bactérias e também para evitar a compactação do solo

> Não faça o pastoreio na resteva do milho, a não ser por pouco tempo em áreas colhidas manualmente

O calendário

Até fevereiro - Colheita do milho

Até o fim de abril - Colheita de soja

Segunda quinzena de março e inicio de maio - plantio de pastagens de inverno, nas áreas antes utilizadas para milho e soja, para aproveitar a luminosidade e temperatura mais altas do outono

Setembro - retirada do pastoreio por 60 dias para o plantio das culturas de verão

Fonte: Zero Hora