12 jul

Pacote emergencial agrada produtor

 Pacote emergencial agrada produtor Pacote emergencial agrada produtor

Embora ainda não satisfeitos com a medida apresentada para o endividamento do campo, representantes de produtores rurais afirmam que o pacote de renegociação de dívidas, anunciado nessa quarta-feira (11-07) pelo governo, cria condições para que os agricultores acessem o crédito para o plantio da próxima safra (2007/08)

Viviane Monteiro

O acordo - considerado "emergencial" - foi fechado entre as partes envolvidas depois de dois meses de negociação. "Já avançamos bastante perto do que estávamos pedindo", comemorou o relator da Subcomissão Permanente da Política Endividamento e Renda Rural, deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS).

O governo prorrogou cerca de 80% das parcelas das dívidas de custeio e investimento vencidas e que vencem neste ano provenientes das últimas três safras prejudicadas principalmente pelo clima e câmbio. Já os produtores queriam a repactuação de 100% da dívida. Defendiam ainda a concessão de um bônus de 30% para cada parcela, em vez dos 15% cedidos pelo governo. O restante seria prorrogado para um ano após o último vencimento, disse o presidente da Comissão Nacional de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto.

Segundo Heinze, a medida é considerada emergencial porque soluciona apenas uma parte do problema do campo.
Entretanto, vai facilitar a liberação de novas garantias aos bancos para a próxima safra. Os produtores estão com dificuldade de apresentar novas garantias pois já tinham sido usadas em empréstimos anteriores.

Os débitos com a União, estimados em mais de R$ 10 bilhões, referentes as dívidas conhecidas como Pesa, Securitização e Recoop, não foram renegociados. Sperotto informou que a negociação efetiva do estoque de dívidas ficará para o próximo mês porque o setor produtivo encomendou uma pesquisa para avaliar a real capacidade de pagamento dos produtores rurais brasileiros.

O grupo de trabalho vai discutir ainda medidas estruturais, importação de insumos de países do Mercosul, o seguro rural e o fundo de catástrofe. A medida é paliativa e emergencial, mas vai ajudar o produtor a acessar o crédito para plantar na próxima safra 2007/08.